Em um desdobramento que agitou o cenário político fluminense, o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, foi alvo de um mandado de busca e apreensão nesta sexta-feira (15). A ação, parte da Operação Sem Refino, coordenada pela Polícia Federal (PF), lança novas sombras sobre a trajetória do político, que atualmente se prepara para uma pré-candidatura ao Senado. A investigação mira possíveis fraudes fiscais envolvendo o Grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, e a suposta atuação de Castro para favorecer os interesses da empresa.
A notícia pegou muitos de surpresa, especialmente considerando o histórico recente de Cláudio Castro, que renunciou ao cargo de governador em março deste ano, um dia antes de ter sua inelegibilidade declarada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Agora, ele se encontra novamente no centro das atenções, desta vez por acusações que conectam seu nome a um dos maiores devedores de impostos do país.
A Operação Sem Refino mobilizou agentes da Polícia Federal que, na madrugada da última sexta-feira, saíram da Superintendência Regional, na Praça Mauá, para cumprir 17 mandados de busca e apreensão. Um desses mandados tinha como destino o apartamento de luxo de Cláudio Castro, localizado no condomínio Península, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio. A discrição marcou a chegada dos policiais, que utilizaram carros descaracterizados, embora uma equipe de agentes armados tenha permanecido na porta do edifício, sem adentrar a residência do ex-governador.
Foi o próprio Cláudio Castro quem abriu a porta para os agentes federais. Segundo relatos, ele estava em casa com a esposa e os dois filhos no momento da chegada da PF. As buscas no apartamento se estenderam por quase três horas, resultando na apreensão de um celular e um tablet, conforme confirmado pela defesa do político. Este material será crucial para as investigações, que buscam desvendar a extensão de seu envolvimento nas supostas irregularidades.
No cerne da Operação Sem Refino está a investigação de um esquema de fraudes fiscais atribuído ao Grupo Refit, a antiga Refinaria de Manguinhos. Esta empresa é apontada pelas autoridades como uma das maiores devedoras de impostos do Brasil, acumulando um passivo fiscal significativo. O relatório da Polícia Federal, que embasou os mandados, sugere que Cláudio Castro teria desempenhado um papel decisivo na proteção e no favorecimento dos interesses do Grupo Refit, utilizando sua posição para beneficiar a companhia em detrimento dos cofres públicos.
As fraudes fiscais, se comprovadas, representam não apenas um prejuízo milionário para o Estado, mas também uma grave violação da ética e da legalidade na gestão pública. A conexão de um ex-governador com tais práticas, especialmente um que já enfrenta um histórico de inelegibilidade, intensifica o escrutínio público e as repercussões políticas.
A expedição dos 17 mandados da operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A solicitação partiu da própria PF e está inserida no âmbito da ADPF das Favelas. Inicialmente, essa Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) focava nas regras para a atuação de operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro. No entanto, sua abrangência foi expandida para investigar também a atuação de organizações criminosas e suas conexões com agentes públicos no estado, o que explica a inclusão de um ex-governador na mira da Justiça.
O momento da operação é particularmente delicado para Cláudio Castro. Além de sua recente renúncia e a declaração de inelegibilidade, ele se projeta como pré-candidato ao Senado nas próximas eleições de outubro. A investigação e as acusações podem ter um impacto devastador em suas aspirações políticas, colocando em xeque sua imagem e credibilidade perante o eleitorado.
Em resposta à operação, a defesa de Cláudio Castro manifestou sua surpresa com a ação da Polícia Federal. Em nota, os advogados afirmaram que o ex-governador está “à disposição da Justiça para dar todas as explicações, convicto de sua lisura”. Esta postura, de colaboração e afirmação de inocência, é um movimento padrão em situações como essa, mas a eficácia de tal declaração dependerá dos desdobramentos da investigação e das provas que vierem à tona.
Com o Rio de Janeiro atualmente sob o governo interino do presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto, a Operação Sem Refino adiciona mais um capítulo complexo à já conturbada cena política do estado. As apreensões de dispositivos eletrônicos de Cláudio Castro são um passo importante na busca por evidências que possam corroborar ou refutar as acusações de favorecimento ao Grupo Refit.
O desfecho desta investigação terá amplas implicações, não só para a carreira política de Cláudio Castro, mas também para a percepção pública sobre a integridade das instituições e dos agentes políticos no Brasil.