O Ministério da Saúde lançou nesta segunda-feira (28) o programa Agora Tem Especialistas, que permitirá que operadoras de planos de saúde privados atendam, gratuitamente, pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) em áreas de alta demanda. A iniciativa começa a ser implantada neste mês de agosto.
A proposta prevê que os planos privados troquem dívidas com o governo federal pela prestação de serviços ao SUS, em especialidades médicas com maior fila de espera, como oncologia, oftalmologia, ortopedia, ginecologia, cardiologia e otorrinolaringologia.
Como funcionará o programa
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, os planos se inscrevem voluntariamente no programa. O governo então cruza a oferta das operadoras com as necessidades regionais identificadas por estados e municípios. Se aprovados, os atendimentos serão iniciados, com foco em reduzir o tempo de espera por especialistas na rede pública.
“Com esse reforço dos hospitais privados, menor será o tempo de espera no SUS”, afirmou Padilha.
Cronograma
4 de agosto: Publicação do edital com as regras.
11 de agosto: Abertura do sistema para que operadoras solicitem a adesão.
Ainda em agosto: Previsão para o início dos primeiros atendimentos.
Requisitos para adesão
As operadoras deverão se cadastrar na plataforma InvestSUS e comprovar:
Capacidade técnica e operacional.
Volume mínimo de 100 mil atendimentos mensais (ou 50 mil, em regiões com menor oferta).
Regularidade jurídica e financeira.
O Ministério da Saúde analisará a documentação e, se aprovada, a operadora será habilitada. A lista de serviços será então disponibilizada aos estados e municípios.
Como será o atendimento ao paciente?
O usuário do SUS continuará procurando sua unidade básica de saúde normalmente. O encaminhamento para especialistas, sejam públicos ou privados, continuará sendo feito pelo sistema de regulação da fila do SUS, que determinará o local de atendimento. O paciente não poderá escolher o prestador.
Distribuição regional
A participação das operadoras no programa será dividida por regiões:
Sudeste: 36,5%
Nordeste: 24%
Sul: 11,5%
Centro-Oeste: 10%
Norte: 10%
Serviços estratégicos (em qualquer região): 10%
Fiscalização e garantias
A diretora-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Carla de Figueiredo Soares, afirmou que haverá mecanismos rigorosos de fiscalização, com possibilidade de multas e outras penalidades.