Em meio à escalada dos preços do petróleo no mercado internacional e a cinco meses das eleições de outubro, o Ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, emergiu como figura central ao detalhar uma nova Medida Provisória (MP) destinada a conter a alta dos combustíveis. A iniciativa, divulgada nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, visa diretamente a gasolina e o diesel, commodities essenciais que pesam no bolso do consumidor e afetam toda a cadeia produtiva nacional.
Moretti, uma voz influente na equipe econômica, apresentou a proposta como um esforço para aliviar a pressão inflacionária e garantir a estabilidade econômica em um momento delicado. A medida, que busca mitigar os efeitos da recente disparada do preço do petróleo, motivada, em parte, pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, demonstra a proatividade governamental em tentar blindar o mercado interno das volatilidades externas.
A essência da MP reside na concessão de um benefício tributário sobre a Cide e o PIS/Cofins, tributos federais que incidem diretamente sobre os combustíveis. A estratégia inicial foca na gasolina, que até então não havia sido contemplada por ações específicas para conter o aumento de preço. No entanto, o governo sinaliza a possibilidade de estender essa subvenção ao diesel, especialmente quando a MP anterior, que suspendeu a tributação sobre este último em março, deixar de vigorar ao final de maio.
É fundamental destacar que o desconto no imposto não excederá o teto dos tributos federais já estabelecidos. Atualmente, para a gasolina, esse teto soma R$ 0,89 por litro (incluindo PIS/Cofins e Cide). Para o diesel, o PIS/Cofins é de R$ 0,35 por litro, um valor que já havia sido suspenso. A nova medida pode, portanto, ser aplicada ao diesel para preencher a lacuna após o término da MP anterior, garantindo uma continuidade na política de subsídio.
Um dos pontos mais enfáticos da apresentação de Bruno Moretti foi a garantia de que a medida possui “neutralidade fiscal”, ou seja, não representará um ônus adicional para os cofres públicos. Segundo o ministro, o custo mensal estimado da subvenção, que pode variar entre R$ 2,7 bilhões e R$ 3 bilhões (somando gasolina e diesel), será compensado. A justificativa reside no aumento da receita da União, proveniente de dividendos, royalties e participações, que tem crescido significativamente com a valorização da cotação do petróleo no mercado internacional.
Essa abordagem, segundo Moretti, permite que o governo intervenha no mercado de combustíveis sem comprometer o equilíbrio fiscal, um desafio constante para qualquer administração. Os valores exatos da subvenção serão detalhados em um ato do Ministério da Fazenda, a ser publicado nos próximos dias. Contudo, as estimativas iniciais de Moretti apontam para um benefício de R$ 0,40 a R$ 0,45 por litro para a gasolina e de R$ 0,35 para o diesel.
A expectativa é que a medida anunciada por Bruno Moretti e sua equipe tenha um impacto direto e positivo no bolso do consumidor brasileiro. A redução nos preços dos combustíveis não apenas alivia as despesas de transporte, mas também pode frear a inflação em diversos setores, uma vez que o custo da energia e do transporte de mercadorias é um componente significativo no preço final de muitos produtos e serviços.
A decisão de implementar essa MP a cinco meses das eleições também levanta discussões sobre o timing político. Embora o governo justifique a ação como uma resposta técnica e econômica às pressões internacionais, o benefício direto ao consumidor em um período pré-eleitoral é inegável e pode influenciar a percepção pública sobre a gestão econômica.
Em suma, a nova Medida Provisória, orquestrada sob a liderança de Bruno Moretti, representa uma tentativa robusta do governo de estabilizar os preços dos combustíveis. Ao balancear a necessidade de intervir no mercado com a responsabilidade fiscal, o Ministro do Planejamento e Orçamento busca oferecer um alívio tangível à população e à economia, mostrando que, mesmo diante de turbulências globais, há um esforço contínuo para proteger o poder de compra e a estabilidade do país.